Exames Genéticos

Testes genéticos para câncer de próstata: como a genética pode ajudar a definir o tratamento

Por Equipe Life Genomics · 2 de novembro de 2023

5 min de leitura

dna

O câncer de próstata não é uma doença biologicamente igual em todos os pacientes. Enquanto alguns tumores apresentam evolução mais lenta, outros possuem características moleculares associadas a comportamento mais agressivo. Por isso, além da avaliação clínica, do PSA, dos exames de imagem e da análise anatomopatológica, os testes genéticos para câncer de próstata ganharam espaço na oncologia de precisão.

Segundo o INCA, o Brasil deverá registrar aproximadamente 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028. Sem considerar o câncer de pele não melanoma, trata-se do câncer mais incidente entre os homens brasileiros.

Resposta rápida:

Os testes genéticos podem identificar alterações hereditárias ou presentes exclusivamente no tumor de pacientes com câncer de próstata. Essas informações podem ajudar o médico a avaliar predisposição familiar, compreender características moleculares da doença e, em determinados casos, selecionar terapias direcionadas. Atualmente, diretrizes internacionais recomendam a investigação genômica principalmente em contextos específicos, com destaque para a doença metastática. Portanto, genética e genômica tornaram-se componentes importantes da medicina de precisão em oncologia.

O que são testes genéticos para câncer de próstata?

Os testes genéticos utilizados na oncologia procuram alterações no DNA relacionadas ao desenvolvimento ou ao comportamento do câncer.

No câncer de próstata, duas análises possuem objetivos diferentes. O teste germinativo investiga variantes presentes desde o nascimento e que podem ter sido herdadas. Essas alterações também podem ter implicações para familiares.

Já o teste somático analisa alterações adquiridas pelas células tumorais ao longo da vida. Nesse caso, o objetivo principal consiste em caracterizar molecularmente o tumor e identificar biomarcadores que possam contribuir para decisões terapêuticas.

Como os testes genéticos funcionam?

O teste germinativo geralmente utiliza sangue ou saliva. Depois da coleta, técnicas como o Sequenciamento de Nova Geração, conhecido como NGS, permitem analisar simultaneamente diversos genes relacionados à predisposição ao câncer.

Entre os genes frequentemente avaliados estão BRCA1, BRCA2 e ATM, além de outros genes envolvidos nos mecanismos de reparo do DNA.

Por outro lado, a análise somática pode utilizar tecido obtido em uma biópsia ou cirurgia. Em determinados cenários, também é possível investigar DNA tumoral circulante por meio de uma biópsia líquida.

Por que a genética pode mudar o tratamento do câncer de próstata?

A identificação de determinadas alterações moleculares pode abrir possibilidades de tratamento direcionado.

Um exemplo importante envolve alterações nos mecanismos de reparo do DNA, especialmente aquelas relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2. Em pacientes selecionados, essas informações podem contribuir para avaliar tratamentos como os inibidores de PARP.

Além disso, a ASCO publicou em 2025 uma diretriz recomendando que pacientes com câncer de próstata metastático realizem teste genético germinativo. A entidade também recomenda teste somático para pacientes metastáticos considerados para tratamentos sistêmicos orientados por biomarcadores.

Teste germinativo ou teste somático: qual a diferença?

O teste germinativo responde principalmente à pergunta: “Existe uma alteração hereditária relacionada ao câncer deste paciente?”.

Já o teste somático procura responder: “Quais alterações moleculares estão presentes neste tumor e podem ter relevância clínica?”.

Consequentemente, os dois exames podem oferecer informações complementares. Inclusive, na doença metastática, a ASCO recomenda a realização de análises germinativas e somáticas conforme o contexto clínico.

O resultado também pode ser importante para a família?

Sim. Quando um teste germinativo identifica uma variante patogênica associada à predisposição hereditária ao câncer, familiares podem se beneficiar de avaliação individualizada e, quando indicada, testagem em cascata.

Isso pode ajudar a identificar pessoas que apresentam risco aumentado antes do desenvolvimento de uma doença. Entretanto, a interpretação deve considerar histórico pessoal, histórico familiar e aconselhamento genético.

Teste genético substitui PSA, toque retal ou biópsia?

Não. O teste genético não substitui a avaliação urológica nem os exames utilizados na investigação e no diagnóstico do câncer de próstata.

A genômica acrescenta outra camada de informação. Portanto, médicos podem combinar dados clínicos, anatomopatológicos, familiares e moleculares para compreender melhor cada caso.

Perguntas frequentes sobre testes genéticos e câncer de próstata

Todo paciente com câncer de próstata precisa fazer teste genético?

A indicação depende das características da doença e do contexto clínico. Entretanto, para pacientes com câncer de próstata metastático, a ASCO recomenda teste germinativo. O teste somático também possui papel relevante quando tratamentos orientados por biomarcadores estão sendo considerados.

BRCA também está relacionado ao câncer de próstata?

Sim. Embora BRCA1 e BRCA2 sejam frequentemente associados ao câncer de mama e ovário, alterações nesses genes também podem estar relacionadas à predisposição e ao comportamento do câncer de próstata.

O teste pode indicar qual medicamento usar?

Em determinados pacientes, alterações moleculares podem ajudar o oncologista a selecionar terapias direcionadas. Entretanto, o resultado genético deve sempre ser interpretado juntamente com estágio da doença, tratamentos anteriores e demais características clínicas.

O teste pode ser feito com saliva?

Testes germinativos podem utilizar saliva ou sangue, dependendo da metodologia e do laboratório responsável. Já testes somáticos normalmente utilizam material tumoral ou, em situações específicas, DNA tumoral circulante.

O que é biópsia líquida no câncer de próstata?

A biópsia líquida analisa componentes tumorais encontrados no sangue, como fragmentos de DNA tumoral circulante. Ela pode representar uma alternativa em determinados contextos, principalmente quando uma nova amostra de tecido apresenta limitações.

Ter uma mutação significa que meus filhos terão câncer?

Não. Uma variante hereditária pode aumentar a predisposição, mas não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá câncer. Por isso, aconselhamento genético e avaliação individualizada são fundamentais.

Genética e medicina de precisão no câncer de próstata

A oncologia está avançando de uma abordagem baseada somente no local de origem do tumor para uma estratégia que também considera suas características moleculares.

No câncer de próstata, os testes genéticos e genômicos podem contribuir tanto para identificar predisposição hereditária quanto para apoiar estratégias terapêuticas mais personalizadas.

A Life Genomics oferece soluções em oncogenética, incluindo testes germinativos e análises moleculares tumorais voltadas à medicina de precisão.

Quer entender qual exame pode ser mais adequado para cada contexto clínico? Fale com os consultores da Life Genomics e conheça as opções disponíveis para investigação genética e genômica do câncer de próstata.

Conteúdo informativo; não substitui a avaliação médica.

Compartilhe

Precisa de um exame genético?

Veja os exames disponíveis ou fale com a nossa equipe para saber qual é o mais indicado para o seu caso.

Exames relacionados

Genética

Este exame de MLPA identifica microdeleções ou microduplicações no gene JAG1 e possibilita o diagnóstico de indivíduos com suspeita clínica de síndrome…

Amostra: Saliva · Sangue · Swab bucal

Genes analisados: JAG1

Genética

Neste painel de NGS é realizado o sequenciamento completo (éxons e regiões intrônicas flanqueadoras) e avaliação do número de cópias (CNV) por…

Amostra: Saliva · Sangue · Swab bucal

Genes analisados: ABCB11, ABCB4, ABCC8, ABCD1 e outros

Cardiologia

Genes mais frequentemente associados à diferentes formas de miocardiopatia hereditária, incluindo miocardiopatias dilatadas, miocardiopatias hipertróficas, não-compactação ventricular, entre outros. Devido à sobreposição…

Amostra: Saliva · Sangue · Swab bucal

Genes analisados: AARS2, ABCC6, ABCC9, ACAD8 e outros

Leia também

Exames Genéticos · Oncologia

Câncer de próstata tem componente hereditário em até 1 a cada 10 casos avançados. Saiba quem deve fazer teste genético

1 de novembro de 2026

Exames Genéticos · Genética

Diabetes, obesidade, colesterol alto e gordura no fígado têm componente genético. Veja como testes de DNA antecipam o risco e

1 de novembro de 2026

Saúde da mulher

Duas mulheres de 42 anos recebem, na mesma semana, o mesmo laudo: carcinoma ductal invasivo, HER2-negativo, estádio II. Nenhuma delas

26 de outubro de 2026

Dúvidas? A gente te ajuda.

Fale com a nossa equipe para tirar dúvidas sobre exames genéticos.