Descrição
Ao contrário da biópsia líquida, o Tempus xT não parte de uma coleta única. Ele é um ensaio tumor-normal pareado, o que significa que a análise depende de duas amostras distintas do mesmo paciente. O sequenciamento usa DNA isolado de tecido tumoral fixado em formalina e incluído em parafina (FFPE) somado ao DNA de uma amostra normal pareada, de sangue ou saliva, em pacientes com neoplasias sólidas malignas já diagnosticadas. Esse pareamento é justamente o que permite ao ensaio distinguir com precisão o que é alteração somática do tumor daquilo que é variante germinativa herdada — uma diferença que muda a conduta clínica.
Amostra 1 — o tecido tumoral (via patologia)
Aqui não há coleta nova na maioria dos casos. O material geralmente já existe: é o bloco de parafina do procedimento diagnóstico. Depois que o pedido é registrado, o próprio Tempus solicita o espécime tumoral (FFPE ou medula óssea) diretamente ao serviço de patologia.
Os requisitos técnicos, porém, são rígidos. A fixação deve ser em formalina neutra tamponada a 10% por 6 a 72 horas, seguida de inclusão em parafina, e o ideal é que a amostra não tenha passado por descalcificação (EDTA é aceito). O conteúdo tumoral precisa representar ao menos 20% da amostra pela razão entre núcleos tumorais e núcleos benignos, com área tumoral ideal de 25 mm² e mínimo de 5 mm.
Quanto ao formato de envio, existem dois caminhos. O laboratório aceita o bloco FFPE de maior conteúdo tumoral, acompanhado opcionalmente de uma lâmina corada em H&E — ou, alternativamente, 10 lâminas não coradas em cortes de 5 μm sobre lâminas positivamente carregadas e não aquecidas, mais 3 lâminas adicionais caso haja pedido de imuno-histoquímica, e 1 lâmina terminal corada em H&E. Quando o fragmento é pequeno, recomenda-se enviar lâminas extras, e o material deve vir identificado com dois identificadores do paciente, preferencialmente do procedimento mais recente que seja adequado para teste.
Amostra 2 — o normal pareado (no consultório)
Esta sim é uma coleta ativa, feita junto ao paciente. Para tumores sólidos, o sangue é a matriz preferencial; a saliva é preferida em linfomas. Em ambos os casos, o kit de coleta do próprio Tempus deve ser utilizado. A punção é venosa simples, sem preparo especial, e o kit já traz tubos, embalagem e material de envio.
Uma ressalva clínica relevante: amostra de sangue ou saliva não é apropriada em pacientes que tenham sido submetidos a transplante alogênico de medula óssea, pela óbvia contaminação do genoma normal pelo enxerto do doador.
O fluxo operacional, na prática
O processo começa com a solicitação do kit de coleta, que já contém toda a documentação. Em seguida vêm o termo de consentimento assinado com o paciente e o formulário de requisição — este último exige assinatura do médico e do paciente. Só então a documentação é enviada ao laboratório, que aciona a patologia para o material tumoral, enquanto a amostra normal de sangue ou saliva é coletada e despachada com a etiqueta de transporte incluída no kit. O envio é feito por remessa noturna prioritária, usando a embalagem do próprio kit.
Vale saber que a modalidade de laudo depende do que chega à bancada: quando há tumor + normal pareado, o teste roda como CDx; quando é tumor isolado, roda como LDT. Na prática, entregar as duas amostras não é burocracia — é o que garante o padrão de diagnóstico companheiro aprovado.
Por que o pareamento vale o esforço logístico
O painel v4 do xT cobre 648 genes em cerca de 3,6 Mb de espaço genômico, detectando SNVs, indels, variantes de número de cópias e translocações em 22 genes, além de duas regiões promotoras (PMS2 e TERT) e 239 sítios para determinação do status de instabilidade de microssatélites. Com o normal pareado, cada variante encontrada é classificada com muito mais confiança — e achados germinativos incidentais clinicamente relevantes emergem sem necessidade de um segundo teste.
O gargalo raramente é científico. É logístico: bloco parado em arquivo de patologia, lâminas cortadas na espessura errada, conteúdo tumoral insuficiente, kit ausente no consultório no dia da consulta. Cada um desses pontos custa semanas ao paciente oncológico. Medicina de precisão começa com dados precisos — e, no xT, isso começa com a rastreabilidade do bloco e a coleta do normal no mesmo momento da decisão clínica.
Perguntas frequentes
Precisa de nova biópsia? Em geral, não. O material de arquivo costuma ser suficiente, desde que atenda ao mínimo de celularidade tumoral e à qualidade de fixação.
Há jejum para a coleta de sangue? Não.
E se o tecido for insuficiente? Existe reflexo para o xF, o ensaio de biópsia líquida, nos casos em que o xT resulta em quantidade insuficiente de amostra ou não identifica variantes acionáveis. Tempus
Quantas lâminas devo pedir à patologia? Dez não coradas de 5 μm mais a H&E terminal, ou o bloco inteiro quando disponível — o bloco costuma ser a via mais segura.

